sexta-feira, 20 de março de 2020

Copa do Mundo de 1978, Argentina. Pacote completo.

A Copa do Mundo de 1978 realizada numa gelada Argentina de inverno possivelmente foi a mais polêmica da história. Não foi a primeira realizada sob uma ditadura (1934, na Itália, também), mas a transmissão em cores e a conformação mundial da época - guerra fria, América do Sul sob governos totalitários - ajudou a divulgar o que ocorria no país dos hermanos. A primeira grande baixa da copa foi o boicote pelo gênio Johan Cruijff, que não aceitou participar, alegando questões políticas. No Brasil de Geisel, o técnico da seleção era o capitão Cláudio Coutinho, que ficaria conhecido por seu apego ao preparo físico e invencionices técnicas, como o famoso "overlapping", o lançamento para o vazio, ponto A para ponto B e por aí vai. A copa da Argentina também ficou marcada como a última copa "amadora" em termos de organização. O auge da bagunça foi o jogo entre França e Hungria em Mar Del Plata, em que ambas as seleções se apresentaram para jogar com camisas brancas, fazendo o árbitro brasileiro Arnaldo César Coelho determinar que a França jogasse com camisas emprestadas por um clube local, o Kimberley, coisa que já havia ocorrido em várias copas (1930, 1950, 1958...) e que aconteceria pela última vez. Em 1994, nos EUA, os fabricantes de uniformes começariam a dar as cartas.

O Brasil ainda teve que lidar com outros problemas. Rivellino estava velho e cansado. O líder do time, agora, estava no gol: Émerson Leão, tão brilhante quanto irascível. Zico ainda era uma promessa e o melhor atacante brasileiro do momento, Reinaldo, não gozava de boa reputação com os militares. Coutinho o substituía constantemente - Roberto Dinamite, Dirceu, Gil - mas o time não engatava. Empates com Suécia e Espanha e uma vitória magra sobre a Áustria jogaram o Brasil para uma segunda fase com Peru, Argentina e Polônia, três equipes consideradas fortes. Apesar de hesitantes, os canarinhos venceram bem o Peru de Cubillas por 3x0 e a Polônia de Lato por 3x1, além de empatarem sem gols com os argentinos, em um jogo violentíssimo que ficou conhecido como "A Batalha de Rosário". A copa viveria seu momento culminante, contudo, em uma partida que entrou para os anais da infâmia das copas: Argentina x Peru, no dia 21 de junho, também em Rosário. A Argentina mudou o horário do jogo e entrou em campo depois do jogo do Brasil contra a Polônia, sabendo exatamente quantos gols precisaria fazer para superar o Brasil, que tinha cinco de saldo. A Argentina tinha dois. Precisaria fazer 4 gols contra o Peru, que nem de longe era um time fraco. O resultado do jogo, 6x0 para os argentinos, com pelo menos duas entregadas monumentais do goleiro peruano Ramón Quiroga deixou claro ao mundo que os argentinos não economizariam meios para obter seu fim.

Restou ao Brasil a decisão do terceiro lugar, contra a Itália de Paolo Rossi e Dino Zoff. Em um de seus melhores jogos na copa, o Brasil venceu com dois golaços de Nelinho e Dirceu, para voltar ao Rio de Janeiro carregando a faixa de "campeões morais". Já a Argentina, quando finalmente precisou demonstrar toda a sua raça e força, não decepcionou seu público. A Holanda, sem Cruiff mas ainda poderosa, com Rep, Neeskens, Resenbrink e os gêmeos Van de Kerkhof foram um adversário formidável. Mas a albiceleste de César Luiz Menotti, capitaneada por Daniel Passarella, Ubaldo Fillol, Osvaldo Ardiles, Luque e o infernal Mario Kempes (e que ainda contava com um menino, certo Diego Armando no banco...) venceu ao final, na prorrogação, por 3x1, em um Monumental de Nuñes que urrava. A Argentina conquistava assim, em casa, de forma polêmica mas dificilmente questionável, sua primeira Copa do Mundo, conquista que seria ratificada oito anos depois, com juros e correção, nos gramados sagrados do México.

O pacote completo da copa de 1978 fica em R$ 160,00.

Em breve, assim que pudermos voltar às nossas atividades, a última copa que eu vou disponibilizar neste formato de 20 botões e 3 goleiros: 2010, África do Sul.

Fiquem em casa e se cuidem. Abs.

Abaixo, os grupos de 1978.

Grupo 1 





Grupo 2






Grupo 3





Grupo 4





segunda-feira, 9 de março de 2020

Copa do Mundo de 1982, Espanha. Pacote completo

A Copa do Mundo de 1982 realizada na Espanha é, com efeito, uma das mais inesquecíveis para os brasileiros. A seleção comandada por Telê Santana e que tinha Zico, Sócrates, Éder, Toninho Cerezo, Júnior e Falcão no auge de suas carreiras continua sendo reverenciada com uma das mais brilhantes que o país produziu. Contudo, não é com pouca razão que alguns especialistas consideram o dia 5 de julho daquele ano como o mais traumático da história da seleção brasileira, mais do que o Maracanazo e o 7x1.

Na Espanha, pela primeira vez, fardavam 24 seleções para o combate. A Argentina havia ganho a polêmica copa de 1978 e Maradona começava a ganhar ares de gênio do futebol, ideia que seria consagrada mundialmente quatro anos depois, no México. França e Alemanha eram forças medianas naquele início dos anos 80. A Bélgica tinha um bom time mas vinha de uma derrota amarga na Eurocopa de 1980. Espanha e Inglaterra carregavam seus nomes e olhe lá. Pelo lado sul-americano da tabela, Peru e Chile completavam um quadro desolador e o Uruguai, campeão do Mundialito de 1981 sobre um Brasil que começava a se reconstruir depois da era dos "campeões morais" de Cláudio Coutinho, sequer se classificou para jogar na Espanha.

As surpresas de 1982 vieram da África. Os debutantes leões indomáveis de Camarões, futuros campeões olímpicos, encarniçaram os jogos para cima do Peru do velho Teófilo Cubillas (que jogara em 1970 e 1978), da ainda forte Polônia de Lato, Boniek e Smolarek e da Itália, questionada como nunca, perigosa como sempre. Os argelinos de Madjer fizeram ainda pior: perpetraram um crime contra a Alemanha: 2x0, forçando os alemães a fazerem um acordinho bem bolado com os austríacos na última rodada, um jogo que ganhou lugar na galeria dos mais infames da história das copas.

Os países do leste europeu demonstravam força. Tchecoslováquia, Hungria (que aplicou 10x1 na fragílima equipe de El Salvador, determinando a maior goleada em copas do mundo até hoje), Yugoslávia e União Soviética tinham boas equipes. E foi justamente contra a URSS dos magníficos Blokhin e Dasayev que o Brasil teve sua prova de fogo. A seleção de Telê carecia de confiança. Alguns jogadores eram claramente contestados: Valdir Peres, Serginho Chulapa, Paulo Isidoro e os cansados Dirceu, Batista  e Oscar. Calhou que os soviéticos testaram duramente os canarinhos no dia 14 de junho em Sevilha. Valdir Peres tomou um frango de enciclopédia aos 34 do primeiro tempo. Parecia que tudo ia desandar. Parecia mesmo, até os 30min do segundo tempo. Havia gênios, verdadeiros gênios naquela equipe, contudo. Leandro, Júnior, Falcão, Zico... E havia um capitão como poucos. Passada meia hora da segunda etapa, Sócrates cortou dois marcadores com a perna direita e com um tiro violento da intermediária, venceu a muralha tártara Rinat Dasayev. E aos 43, em um corta-luz genial, deixou que um passe de Paulo Isidoro encontrasse Éder, que de canhota, da mesma posição que o doutor 13 minutos antes, liquidasse um atônito Dasayev e o jogo. Nascia ali um time mitológico.

Os jogos seguintes, contra Escócia e Nova Zelândia foram autênticos passeios: 4x1 e 4x0. No dia 2 de julho, três antes da tragédia, no mesmo acanhado estádio Sarriá, em Barcelona, o Brasil esmagou inapelavelmente a Argentina de Maradona por 3x1. Ao perfilarem contra a Itália, no dia 5, nem o mais pessimista dos críticos ousaria adivinhar o que se sucederia naquela jornada. O Brasil chegava com 13 gols na bagagem. A Itália, míseros 3. Paolo Rossi, nenhum sequer. O que o bambino d'oro trazia em sua bagagem eram dois anos de suspensão pela participação em um escândalo de manipulação de resultados no campeonato italiano. E além de tudo, o Brasil só precisava do empate. Eram favas contadas, imaginávamos.

Mas nada torna o futebol um esporte tão apaixonante quanto o imponderável. A seleção brasileira jogava com a seriedade que se esperava de um grupo tão excelente. Mas ninguém está livre de erros. Paolo Rossi, cabeceando um cruzamento de Cabrini, abriu o placar logo aos 5 minutos. Sem muito esforço, Sócrates empatou aos 12. Mas a Itália tinha um time rápido e traiçoeiro. Aos 25, a jogada que quebrou o time: Cerezo tenta um passe cruzado na intermediária para Oscar. Rossi se antecipa e toca na saída de Valdir Peres: 2x1. Antes do intervalo, Zico sofreu um pênalti claro que o árbitro Abraham Klein preferiu não marcar.

Ao voltar do intervalo, o Brasil era outro: nervoso, inquieto, errando muito, mal postado em campo. Na direita da defesa, Leandro foi abandonado. Serginho, uma nulidade. Mas mesmo cansado e jogando mal, o Brasil empataria aos 23 minutos, em um golaço de esquerda de Falcão, aproveitando uma fuga de Cerezo que puxou a marcação italiana para a direita. Seis minutos depois, porém, Paolo Rossi aproveitaria um escanteio e marcaria o terceiro gol. O relógio marcava 29 do segundo tempo e o Brasil não tinha mais pernas nem espírito. Oscar ainda forçaria Dino Zoff a fazer uma monumental defesa. Telê colocou - tarde demais, segundo Jô Soares (entendedores entenderão) - o ponta Paulo Isidoro no lugar de Serginho. Não adiantou. Klein apontou o centro de campo e determinou naquele dia não só o fim da partida, mas para muitos, a morte do futebol-arte diante do pragmatismo dos resultados. O futebol-arte era demolido no pequeno Sarriá, que também seria implodido 15 anos depois.

O Brasil voltava para casa e a Itália seguia em frente para derrotar a Polônia por 2x0 e encontrar a Alemanha na final. Os alemães chegariam à decisão ao vencer a França de Platini e Giresse em uma partida dramática e exaustiva: 5x4 nos pênaltis depois de 3x3 no tempo normal e prorrogação. A Itália, que não tinha nada com isso, atropelou a cansada Alemanha por 3x1 em Madri. Curiosamente, as recordações da tragédia estavam presentes em campo: o árbitro foi o brasileiro Arnaldo César Coelho. Um de seus auxiliares era Abraham Klein. Os alemães amargavam mais um fracasso diante da Itália em copas, coisa que acontecera em 70 e se repetiria em 2006. Os italianos festejaram. A grande final, entretanto, para a história do futebol, já tinha ocorrido 6 dias antes.

O pacote de seleções da Copa de 1982 sai por R$ 240.
Abaixo, os grupos da copa.

Grupo 1





Grupo 2





Grupo 3





Grupo 4





Grupo 5





Grupo 6




Próxima copa: Argentina, 1978. Até lá.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Copa do Mundo de 2006, Alemanha. Pacote completo

A segunda Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, assim como a de 1974, não foi de boas lembranças para o Brasil. Vindo de um título, em 2002, o time já não tinha o mesmo técnico - Parreira assumia novamente o comando, enquanto Felipão comandava uma seleção de Portugal que trazia uma ferida funda e aberta: a perda do título da Eurocopa para a Grécia em casa, dois anos antes. Não havia renovação na seleção brasileira. O máximo que se via nos campos de treinamento em Weggis, na Suíça, era uma esperança fugaz chamada Robinho, uma espécie de Pelezinho que, embora tivesse talento, não era tudo o que se esperava dele. O resto da seleção era um amontoado de malabaristas. Ninguém treinava, nada era levado muito à sério e o único real intuito do grupo era transformar Ronaldo, o Fenômeno, no maior artilheiro de todos os tempos. Conseguiram, até que em 8 de julho de 2014, a artilharia suprema voltou para as mãos de Miroslav Klose, embrulhada na maior humilhação da centenária seleção brasileira de futebol até hoje.

Mas a copa de 2006 não foi só marcadas pelas agruras dos canarinhos indolentes. Muita coisa rolou. Várias equipes debutaram - Costa do Marfim, Togo, Angola, Ucrânia, Trinidad e Tobago, Sérvia e Montenegro... e algumas delas, como Angola e Togo, enfrentaram suas ex-metrópoles Portugal e França; já Portugal e Holanda protagonizaram o que é considerado até hoje o jogo mais violento da história das copas. Foi em Nuremberg, com Portugal levando a melhor e pavimentando seu caminho para o quarto lugar.

Os outros três semifinalistas foram a Alemanha, a França e a Itália. A França, depois de dar um baile no Brasil, venceu Portugal e chegou à final. A Alemanha, embalada por uma fanática e renovada torcida, acreditou até os 30 minutos da prorrogação da semifinal, quando a Itália de Buffon, Grosso e Del Piero passou inapelavelmente por cima dos germânicos, que mais uma vez caiam diante da Azurra, em um tabu que parece interminável.

A final foi intensamente disputada e, assim como em 1994, decidida nos pênaltis. Dessa vez os italianos levaram a melhor e Fábio Cannavaro levantou a taça. Para todo sempre, contudo, a final de 2006 vai ficar marcada por dois atos de violência. O racismo silencioso e velado de Marco Materazzi e a reação impensada de Zinedine Zidane, de longe, o melhor jogador daquele mundial. Zidane perdeu a cabeça e a arremessou contra o externo do zagueiro italiano, deixando para trás a chance de conquistar seu segundo mundial. Ainda faria história como técnico, anos depois. Como jogador sua lenda se encerrava sob um cartão vermelho.

O pacote com 32 seleções (64 cartelas) sai por R$ 320,00.

Abaixo, os grupos da copa:

Grupo A





Grupo B





Grupo C





Grupo D





Grupo E





Grupo F





Grupo G





Grupo H





Até a próxima, galera. Em alguns dias, Espanha 1982.