segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O glorioso.

Muitos times no Brasil tem alcunhas, apelidos, epítetos e denominações heróicas e nobres. Mas apenas um time é chamado de "glorioso". E não só pelas palavras do seu hino, um daqueles magníficos hinos cariocas compostos por Lamartine Babo, mas também pela mística e história que carrega, ainda que, paradoxalmente, menos gloriosa que seus congêneres. Afinal, o Botafogo de Futebol e Regatas, mais conhecido alvinegro do Rio de Janeiro, nunca teve a pompa e o glamour do Fluminense, nem a avassaladora torcida e os títulos do Flamengo, nem mesmo a história de lutas e conquistas sociais e raciais do Vasco da Gama. O Botafogo, contudo, tem uma mística que acompanha poucos clubes no país. Seus torcedores são como fiéis religiosos: tensos, supersticiosos, ingrédulos, pessimistas e sobretudo, apaixonados pelo clube como se fosse parte da família. A história do clube é marcada, desde sempre, pela superação, pelas voltas por cima, pela eterna sombra do "quase" que tornou cada conquista e cada título um momento mágico. Pelo Botafogo passaram jogadores lendários, mas nunca as lendas que sustentavam o time, como Pelé ou Zico, mas ídolos pagãos, absurdos, tão geniosos quanto geniais. O Botafogo é o time de loucos magníficos como Heleno de Freitas, Garrincha, Manga e Amarildo, de iluminados quase sobrenaturais como Gérson e Nilton Santos, de artilheiros irreverentes como Túlio e Dodô. Essa miscelânea quase irreal, mistura de tragédia, sonho, ilusão e glórias é o espírito do Botafogo.

Haveria de ser um dia mágico e foi. E toda a superstição dos botafoguenses se traduziu nos números e nas coincidências. Dia 21 de junho de 89, Maracanã, 21º de temperatura (segundo marcava o placar eletrônico), 21 anos sem título. O gol veio aos 12 (21 ao contrário) minutos do segundo tempo, marcado de cabeça por Maurício (camisa 7 - o número de Garrincha), após o cruzamento de Mazolinha. Nesse dia, encerrava-se a fase mais sombria da história do clube da estrela solitária. Não houve no Rio de Janeiro quem não se comovesse com a festa e, com exceção dos irredutíveis rubro-negros (de Zico, Bebeto, Jorginho, Aldair, Leonardo e Zinho) derrotados na final, não houve quem na cidade que não tivesse torcido pelo Botafogo de Maurício, Gottardo, Mauro Galvão e Paulinho Criciúma, campeão invicto de 1989.

Botafogo x Flamengo 1989 - Cartela de escudinhos (PDF)
Botafogo x Flamengo 1989 - Cartela de escudinhos (PNG)
Botafogo x Flamengo 1989 - Youtube

6 comentários:

Thania disse...

OLHE AQUI. MR. BUSTER

Olhe aqui, Mr. Buster: está muito certo que o Sr. tenha um apartamento em Park Avenue e uma casa em Beverly Hills.
Está muito certo que em seu apartamento de Park Avenue, o Sr. tenha um caco de friso do Partenon, e no quintal de sua casa em Hollywood um poço de petróleo trabalhando de dia para lhe dar dinheiro e de noite para lhe dar insônia.
Está muito certo que em ambas as residências o Sr. tenha geladeiras gigantescas capazes de conservar o seu preconceito racial por muitos anos a vir, e vacuum-cleaners com mais chupo que um beijo de Marilyn Monroe, e máquinas de lavar capazes de apagar a mancha de seu desgosto de ter posto tanto dinheiro em vão na guerra da Coréia.
Está certo que em sua mesa as torradas saltem nervosamente de torradeiras automáticas e suas portas se abram com célula fotelétrica. Está muito certo
que o Sr. tenha cinema em casa para os meninos verem filmes de mocinho. Isto sem falar nos quatro aparelhos de televisão e na fabulosa hi-fi com alto-falantes espalhados por todos os andares, inclusive nos banheiros.
Está muito certo que a Sra. Buster seja citada uma vez por mês por Elsa Maxwell e tenha dois psiquiatras: um em Nova York, outro em Los Angeles, para as duas "estações" do ano.
Está tudo muito certo, Mr. Buster. O Sr. ainda acabará governador do seu estado e sem dúvida presidente de muitas companhias de petróleo, aço e consciências enlatadas.

Mas me diga uma coisa, Mr. Buster,
me diga sinceramente uma coisa, Mr. Buster:
- O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha?
- O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal?
- O Sr. sabe lá o que é torcer pelo BOTAFOGO?

(VINÍVIUS DE MORAES)

Thania disse...

Os escudinhos são lindos e o texto emocionante! A cachorrada agradece!

Quanto a torcer pelo Botafogo, deixo a (não)explicação pro Vinícius. heheheh

Estarei na arquibancada gloriosa na expectativa pelos novos posts. Parabéns!

Fernando disse...

Marcão, aproveitando que esse é a semana do Botafogo, e tudo acontece com o Botafogo, queria pedir um outro time:

Quando tiver um tempinho poderia preparar os kits atuais do Arsenal? E em especial aquele de despedida do Highbury Park, em grená. Valeu. Abraço

MarcosVP disse...

Valeu os comments, amor, hehe. Beijo.

MarcosVP disse...

Fernando, farei sim, com prazer, mas não sei se entendi bem... você quer o kit atual (2008/09) e o grená (2005/06)?

Dê uma olhada aqui nessa página e me diga o que você quer. Pode ser até os dois...:-)

http://www.colours-of-football.com/colours03/eng/arsenal/arsenal_1.html

Abs.

Fernando disse...

Marcos, na verdade são os dois sim, grená temporada 05/06, e o kit atual (08/09), que é bem feio pra ser sincero, mas que como botão deve ficar bonito. Valeu =)